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sábado, 12 de novembro de 2011

«Lá longe, em casa, há a prece:/ “Que volte cedo, e bem!”/ (Malhas que o Império tece!)/ Jaz morto e apodrece/ O menino da sua mãe»


SÁBADO, NOVEMBRO 12, 2011





Fez ontem 93 anos que acabou a Iª Guerra Mundial. A Grande Guerra foi um conflito bárbaro no qual morreram 15 milhões de pessoas e 20 milhões foram feridas (na altura Portugal tinha 6 milhões de habitantes!). Em média morreram 5600 soldados por dia!

Durante a Guerra foram exterminados um milhão de arménios na Turquia. Na Alemanha morreram 750 mil civis devido ao bloqueio aliado.

No final da Guerra a Europa tinha mudado radicalmente. Os três grandes impérios europeus tinham desaparecido: A Alemanha transformou-se numa república, o Império dos Habsburgo foi destroçado e a Áustria obrigada também a ser uma república, a Rússia tinha sucumbido aos sovietes. Para além disso a Europa tinha sido substituída pelos Estados Unidos como potência dominante e nunca mais voltaria a recuperar o seu lugar.

Uma das razões pela qual se fala tão pouco da Grande Guerra é porque foi sucedida por uma guerra ainda mais bárbara. Calcula-se que na IIª Guerra Mundial tenham morrido mais de 60 milhões de pessoas.

Outra é porque o governo republicano decidiu enviar um Corpo Expedicionário português para o matadouro que eram as trincheiras da Flandres.

Sem que nenhuma das partes nos tenha atacado ou evocado o nosso auxílio, Afonso Costa e restante quadrilha, decidiram brincar aos soldados com os filhos dos outros. Um pouco por todas as aldeias de Portugal foram pescados rapazes pobres e analfabetos. Depois de um curto treino foram enviados para a frente. Diz-se que o nosso exército estava num estado tão lastimoso que até os alemães tinham pena de nós e evitavam atacar os portugueses.

No total foram 200.000 os homens mal treinados, mal equipados e sub-nutridos que foram mobilizados para partir de Lisboa rumo a uma terra de que nunca tinham ouvido falar para lutar contra uma gente que eles nem sabiam que existia.

A razão: garantir à república o reconhecimento político por parte do governo inglês e construir uma causa comum que abafasse a balbúrdia que reinava na política portuguesa.

O resultado: num único ataque os alemães puseram o nosso exército em debandada e mataram cerca de 7 mil jovens portugueses. Segundo contam os historiadores os portugueses lutaram com bravura, mas a falta de balas e de armamento não deu para oferecer grande resistência.

O número de total de baixas no Corpo Expedicionário Português é incerto. Em batalha morreram entre 7 a 10 mil soldados. Para além disso houve um grande número de feridos permanentes e de homens que ficaram traumatizados para o resto da vida.

Portugal lutou durante pouco mais de ano e meio na Grande Guerra e apenas num cenário. Morreram tantos ou mais soldados durante este tempo do que nos 14 anos que lutámos nos três cenários da Guerra do Ultramar.

Foi mais um ano que passou sobre o fim deste terrível conflito. Mais um ano em que os soldados portugueses mortos pela avidez de glória e de poder da república foram esquecidos.

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